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Alma de Mulher

"Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina". (Cora Coralina)

Rosemary Santos

Occupation
Location
TRADUZIR-SE
Uma parte de mim
é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.
Uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão.
Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte
delira.

Uma parte de mim
alomoça e janta:
outra parte
se espanta.
Uma parte de mim
é permanente:
outra parte
se sabe de repente.

Uma parte de mim
é só vertigem:
outra parte,
linguagem.

Traduzir uma parte
na outra parte
_ que é uma questão
de vida ou morte _
será arte?

Ferreira Gullar
Agradeço a sua visita!
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OI profª venho te agradecer por te me orientado pegado no meu pé e etc...
BJS da Carina . 
Oct. 4

Profª eu vi o recado que a senhora deixou pra mim!!!naum deu ver antes pq eu naum estava en casa!!!mas amanha msm dia 03 eu irei entra em contato com a escola de manha tbom???

bjos!!!!

Aug. 2
Raul Mottawrote:
Rose,
neste finalzinho de semestre, tempo de balanços e avaliações, não posso deixar de registrar aqui minha admiração pela pessoa especial e profissional dedicada que você é.
Já lá se vão mais de três anos e, durante este tempo de convivência quase cotidiana na escola, muito do meu crescimento profissional devo às oportunidades proporcionadas pelo espaço que você coordena, juntamente com a Cris - mais uma pessoa especial, né? [Aliás, chego à conclusão que o Laboratório de Informática do Olga é o espaço com maior densidade demográfica de pessoas especiais por metro quadrado do planeta! rs...]. Você é a Coordenadora ideal, que todo professor sonha ter: super competente, mas sempre querendo saber/aprender mais; generosa, não guarda pra si o que sabe, multiplica as sementes do conhecimento a cada momento de troca ou mesmo numa simples conversa; democrática, gosta de trabalhar em equipe e ver o trabalho conjunto florescer [e, mesmo quando dá uma de "mandona", faz pro bem e com tanta afetividade, que a simpatia dilui, de antemão, qualquer problema...]
Então, resumindo, é isso: espero continuar tendo a sorte de trabalhar e conviver contigo por muito tempo ainda!
Abraço grande, tudibom nos caminhos...
Raul
July 5
Também né, aprendi a fazer blog com as melhores, rsrsrsr!!!!
Nov. 18
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May 10

Ser mãe

Ser mãe

Rosemary dos Santos

A senhora apresenta ter uns 60 anos. Feições sofridas. As marcas de sua luta diária são visíveis em sua face. Roupas simples. Cabelos grisalhos, com alguns fios caindo em sua testa. Agarra-o com força tentando colocar em sua boca alguns goles de água. Está calor. Quase 38 graus. Ele, suado, desvia de suas mãos girando a cabeça em sinal de negativa. Entre um gole e outro ela passa em sua testa uma toalhinha surrada, tentando secar o suor que corria em seu rosto.
Pingos de água que caem do copo de plástico molham o chão e secam rapidamente. De repente, ele levanta e corre pelo corredor. Esbarra em mim. Sorri. Volta a correr, rodopia. Ela sai em sua direção, preocupada. Desculpa-se. Segura sua mão.Gesto de carinho. Afaga-o, abraça-o, tentando mantê-lo sentado.
Observo ao redor, vejo que as pessoas sentadas ali não percebem a beleza daquele momento. Mãe e filho, sincronia perfeita. Ele grita e ela balbucia algo ininteligível em seu ouvido.Ele se acalma. Joga-se em seu colo meio desajeitado. Passa as mãos em seus seios, despreocupado.Cena perfeita, harmoniosa. Mãe e filho num só corpo.
Ao seu lado, uma bolsa com alguns papéis. Ele olha sorrateiro. Arranca-os de sobressalto e os espalha pelo chão.Todos se abaixam para ajudá-la, inclusive eu. Tão calmamente como antes, ela faz um muxoxo e ele, como se lesse em seus olhos um pedido, senta-se e se volta para seu mundo. Dormita.
Começo a observá-lo. Rabisco algo num pedaço de papel. Ele abre os olhos devagar e olha para mim, como se não me enxergasse. Será que dormia? Sentada em sua direção eu acompanho cada gesto disfarçadamente.Ficamos assim por alguns minutos.
Professora Rosemary, a senhora precisa descansar. Estou doente, sinto dores nas costas, cansaço, vontade de desistir. Diagnóstico: estresse. Ajeito-me na cadeira dura. Por um instante sinto-me bem. Aquela mulher é capaz de me tornar também mãe de seu filho. Exemplo de perseverança. Seu rosto diz-me que meu cansaço é pequeno perto do dela e, mesmo assim, ela jamais desiste. Lembrei-me de Drummond no poema Para Sempre: " por que Deus permite que as mães vão-se embora? Mãe não tem limite, é tempo sem hora, luz que não apaga quando sopra o vento e chuva desaba, veludo escondido na pele enrugada, água pura, ar puro, puro pensamento. Morrer acontece com o que é breve e passa sem deixar vestígio. Mãe, na sua graça, é eternidade. Por que Deus se lembra - mistério profundo - de tirá-la um dia? Fosse eu Rei do Mundo, baixava uma lei: mãe não morre nunca, mãe ficará sempre junto de seu filho e ele, velho embora, será pequenino feito grão de milho."
Texto decorado. Recitei para a minha mãe quando tinha 11 anos. Você tem que decorar. Fale bem alto com a mão no peito. Decorei mesmo. Falo para a minha mãe todo ano.
Recito mais uma vez, baixinho. A senhora do meu lado olha-me zangada. Assiste ao programa de Ana Maria Braga na TV cheia de sombras penduradas no alto da parede. Atrapalho a hora da receita de...Não sei o quê.
Olho para ele e analiso-o lentamente. Apesar de seus gestos agitados, seu sorriso inquieto, a mão de sua mãe sobre a sua acalma-o, como se Deus se fizesse presente ali, pedindo-o um momento para que sua velha mãe pudesse descansar.
Tranquilamente ela o olha e beija-o sempre que ele permite. Alisa seus cabelos. Passa as mãos por sua testa. Murmura palavras de conforto. Compreende o que não precisa ser explicado.
Alguém no fundo do corredor grita um nome. A senhora levanta-se apressada. Ele dá um pulo, grita, segura em sua mão. Busca refúgio para o inesperado.Olha para ela, sente-se reconfortado. Seu nome: Marcelo. Deve ter uns 27 anos e aparenta ser autista. Os dois caminham harmoniosamente em direção a sala do médico...
Escrevi isso hoje às 8h no consultório de um médico onde fui queixa-me de cansaço. E aquela mãe mostrou-me o remédio.A perseverança com doses suaves de amor.

 

 Artigo publicado em: http://www.educacaopublica.rj.gov.br/cultura/prosaepoesia/0179.html

As minhas alunas mamães e aos demais filhas e filhos ;-)

March 30

WebMap

December 05

Vejam meu artigo

Queridos meus amigos vejam meu artigo publicado:
 
October 07

Blog no meu blog

Obrigada a Adriana Zardini por citar um texto meu em seu blog ;-)
 
 
 
September 03

RPG na Educação

capitaes3charge-policiaxladraogirassol-prosperidadeMenina%20orfa,%20familia%20assassinadameninauntitledvelhavovo01

   

“O jogo é um traço essencial talvez o mais importante das sociedades humanas. Diferentemente dos outros animais que brincam, o homem é o único que faz conscientemente e durante toda a vida para obter prazer.”

Johan Huizinga

    http://capitaesdaareia.pbwiki.com/Primeira-Parte

     

Personagem: Bela, Anabela

Função Heróica: Intelectual

Função Relacional: Cooperação

Interatora: Rosemary dos Santos

 

Habilidades Técnicas: Armas brancas (2), conhecimento local (2), ensino (4), ler/escrever (2), malandragem (4), segurança (2), agilidade (2), argumentação (2),determinação (2), dissimulação (2), empatia (4), estratégia / tática (2), intuição (2).

CS: M2; CM: O1; CP: M2.

 

    

Palavras-chaves: RPG, metacognição, tecnologia, aprendizagem, interdisciplinaridade, interatividade

 

 

 

JORNAL ON-LINE

 

CAPITÃES DA AREIA E AS LEMBRANÇAS DA PERSONAGEM BELA

Rosemary dos Santos

 

   

1.0 Conceito

 

 

A partir da experiência com o sistema incorporais no cenário baseado no livro Capitães da Areia de Jorge Amado, foi-nos sugerido a proposta do  meta-jogo. Em sala de aula divididos em grupos, utilizamos o livro com a História de Capitães da Areia e fichas com as habilidades de cada personagem criado por nós. Criei então, a personagem de nome Isabela, Bela. Dentro do cenário do jogo, Bela, não é só é a parceira de Sapinho nas venturas como é quem articula, argumenta e tem uma vantagem sobre os outros: aprendeu a ler.

Para a sobrevivência no grupo e vivendo nas ruas, Bela apesar de ser menina adquiriu várias habilidades para defender-se do mundo cruel que a cerca. Como a maioria dos Capitães da Areia também tem conhecimento de Armas brancas, furto e malandragem e habilidades como estratégias e intuição.

Bela representa uma personalidade marcante no aspecto moral da personagem, possui valores e atitudes que não a classificaria como marginal, se por um lado o fato de viver nas ruas faz com que Bela muitas vezes tenha atitudes que a levem a código de éticas questionáveis, por outro difere dos outros companheiros. Enquanto seu eu(intrínseco)  sabe e lamenta-se pelos atos que faz por necessidade, sua consciência a repreende para que possa se responsabilizar por seus atos. Bela vive então, intenso e profundo antagonismo pessoal.

O projeto tem o objetivo de discutir através do RPG e do meta-jogo( um jornal on-line),os conceitos e ideologias da personagem e levantar questionamentos acerca da sua vida, seus gostos, preferências, sua vida e seu contexto social  traduzidos em forma de atividade on-line.

 

 

 

 

2.0 Levantamento

 

 

Para que fosse preciso compor o personagem e o contexto em que ela vivia foram necessários um levantamento e uma pesquisa sobre o cenário do livro Capitães da Areia (fatos históricos, políticos e sociais da época). Foi feita a pesquisa em sites, blogs, fotologs, sites de vídeos, músicas, noticiais, entrevistas e fotografias da época.

Além do material de pesquisa, foram necessários também registros variados para montar o perfil  psicológico da personagem, ora ela estava no presente, ora ela voltava ao passado. A personagem(uma anciã) narrava  as suas memórias aos seus netos.

WOLFGANG  ISER (apud ZILBERMAN:2001) postula que ler é pensar os  pensamentos de outros. É uma forma de ingressar em outros modos de reflexão, de ação, de ser, que não os seus próprios. É envolver-se por momentos na insegurança do novo e talvez, desconhecido.

Para ele, esse ato de ocupar-se com o pensamento de outros é importante se, além da compreensão, ajudar a formular alguma coisa no leitor, levando-o a refletir sobre si mesmo e a descobrir um mundo até então inacessível para ele. Assim, faz Bela ao contar suas memórias.

Um mundo novo que, ao integrar-se ao mundo do leitor, regido por regras, estreito,  insatisfatório, não preenchendo muitas vezes as suas necessidades existenciais, o enriquece com experiências inéditas, não numa forma de escape ao seu mundo, mas indicando-lhe que  pode ser diferente e, muitas vezes, melhor.

Para contar histórias é necessário que o texto narrado faça eco no íntimo do ouvinte, despertando nele o interesse em ouvir atentamente para reproduzi-lo depois. 

 

 

 

3.0 Concepção

 

 

Com o objetivo de desenvolver atividades significativas e desafiadoras de aprendizagem com os alunos do 2º ano do Curso de Formação de Professores com o uso de tecnologias na escola foi criado o projeto de Folhetim On-line: Capitães da Areia-1ª parte  em que a partir de uma rodada de RPG  os alunos criaram um Jornal on-line  no software educacional pbwiki.com.

O trabalho realizado com o pbwiki  analisou como o aluno assimila tais produções em sua aprendizagem, utilizando ambientes virtuais.

 Aspectos como o despertar do gosto pela leitura; a aproximação da realidade em que vive, a informática e as novas tecnologias de comunicação; o exercício da criticidade e a sua formação; a construção de conhecimentos sistematizados foi observada na construção do jornal.

A escola tem que oferecer ao aluno a possibilidade de acesso aos meios digitais e compreender como esse aspecto pode ser vinculado à aprendizagem e ao jogo.

 

 

4.0 Ambiente de Aprendizagem

 

 

O conceito de ambiente na aprendizagem é determinante: Uma aula de RPG tem a ver com a relação com os outros e o espaço físico; uma contação de histórias tem a ver com a disposição dos alunos sentados em círculo e o clima que caracteriza o ambiente; os alunos pesquisando na Internet, relacionam-se no ambiente virtual de aprendizagem(blogs, comunidades)e com os pares ao sentar-se no computador e construindo um jornal on-line precisam ambientar-se com este recurso e suas peculiaridades; quando a personagem viaja em seus pensamentos temos o tempo psicológico, em que juntos com ela saímos do tempo presente e vamos ao passado.

 

 

5.0 – Interdisciplinaridade

 

 

O RPG é por natureza interdisciplinar. As tramas podem conter elementos de várias disciplinas que contribuem para a integração do conhecimento. O Contexto histórico da narrativa-Era Vargas (História), os elementos geográficos da área urbana-cidade,praças(Geografia), as relações e as diferenças (Ciências), na argumentação, expressão oral e escrita (Língua Portuguesa), no meta-jogo com atividades no ambiente virtual de aprendizagem que favorece a interdisciplinaridade, entre outras...

Podemos relacionar também os eixos transdisciplinares: as relações interpessoais, os valores, a ética e a moral. Dessa forma, o RPG abre um leque de possibilidades em termos de construção de conhecimento.

 

 

6.0 – Estimulo a metacognição

 

 

Nas escolas de hoje em dia o grande desafio educacional está em fazer com que os alunos aprendam a aprender. A metacognição se preocupa com a capacidade do aluno de refletir sobre o seu pensamento. Faz com que o aluno desenvolva e controle suas habilidades cognitivas mostrado assim um poderoso ser autônomo.

Os conhecimentos que são construídos e reconstruídos,   a  pesquisa e a exposição dos conteúdos coletados favorecem no aluno a capacidade de  gerir seu aprendizado e buscar respostas. Trabalhando  em equipe, realizando tarefas específicas com a participação de todos colaborativamente oportunizam a construção de relações de  respeito, confiança, apoio mútuo, autonomia e auto-suficiência valorizando à aprendizagem centrada no aluno.

A função do professor quando solicita um trabalho em equipe é colaborar quanto ao conteúdo teórico, mas, sobretudo, das relações interpessoais entre os membros, esclarecendo dúvidas sobre o trabalho e também sobre como podem realizá-lo. Deve despertar o aluno para as diferentes formas de solucionar um único problema.

O trabalho em equipe apresenta-se como um grande aliado no desenvolvimento da metacognição e da afetividade. O intercâmbio entre os alunos permite compreender a diversidade dos pensamentos — cada um apresenta um tipo de pensamento sobre o mesmo assunto. Permite a busca de diferentes pensamentos para o aperfeiçoamento do próprio indivíduo e da forma desse agir.

No plano afetivo, mais especificamente, o trabalho em equipe permite ao aluno dar-se conta das igualdades e diferenças entre cada ser que compõe o grupo, suas limitações e suas superações; o que permite diminuir a ansiedade e facilita o processo ensino aprendizagem.

Além de todo o trabalho desenvolvido em equipe, faz-se necessário a explicação e a avaliação da mesma forma. A apresentação do trabalho ou da solução de um problema deve ser apresentada à turma. Não é só a forma do professor a correta. A apresentação e a avaliação dos colegas às diferentes formas de pensar ou agir oportunizam a conscientização do pensar diversificado e do nosso próprio pensar.

 

 

7.0 Objetivo do trabalho escolhido:

 

 

þ  Refletir sobre o tema do Jogo buscando a solução dos desafios apresentados.

þ  Usar a criatividade e a autonomia para a criação de um meta-jogo.

þ  Utilizar a TNI como forma de liberdade de expressão oral e escrita, fatores fundamentais na construção da sua cidadania.  

þ  Desenvolver atividades significativas e desafiadoras de aprendizagem  com o uso de tecnologias a partir do RPG.

 

 

 

8.0 Justificativa

 

 

O RPG é uma atividade de socialização e incentiva a cooperação, a interatividade, a leitura e a imaginação, o que o configura como uma prática que pode trazer uma série de benefícios para a sala de aula. Assim, o objetivo do uso do RPG na sala de aula é o de proporcionar aos alunos uma atividade lúdica que crie um ambiente diferenciado e mais prazeroso para aprendizagem, facilitando, desta forma, o envolvimento do aluno com a temática a ser trabalhada, criando situações que se assemelhem à realidade.

A exposição dos alunos a determinadas situações faz que esses tenham que exercitar os conteúdos aprendidos, no caso especifico deste trabalho utilizamos a tecnologia e os ambientes virtuais como meio para que esses conhecimentos sejam construídos. A assimilação de conteúdo é maior quando conseguimos pôr em prática aquilo que aprendemos. (RPGEDUC, site).

O RPG Pedagógico, segundo Marcatto (1996) incentiva a criatividade, a participação, a leitura e a pesquisa. É de fácil aplicação a quaisquer matérias e conteúdos didáticos, para crianças, adolescentes e adultos. Com o RPG o ato de estudar se torna mais “leve” e o aluno exercita concretamente seus conhecimentos. (p. 56)

 

 

9.0 Referências Bibliográficas

 

 

Almeida, L. (2001). Cognição, Aprendizagem e Treino Cognitivo. In B. Detry & F. Simas (Coord.s). Educação, Cognição e Desenvolvimento (pp. 55-96). Lisboa: Edinova.

 

Klimick, Carlos. RPG & educação: metodologia para o uso paradidático dos role playing games. In COELHO, Luiz Antônio L. (Org.) Design método. Rio de Janeiro : Ed. PUC-Rio, 2006. p. 143-161

 

Figueiredo, F. (2004). Dinâmicas de Funcionamento da Área de Estudo Acompanhado no 2ºCiclo do Ensino Básico – Um Estudo de Caso. Universidade de Lisboa: Tese de Mestrado não Editada.

 

Garcia, T. & Pintrich, P. (1994). Regulating Motivation and Cognition in the Classroom: The Role of Self-Schemas and Self-Regulatory Strategies. In S. Schunk & B. Zimmerman (Edt.s). Self-Regulation of Learning and Performance (pp. 127-153). New Jersy: Lawrence Erlbaum Associates.

 

Santos, Eloina de Fátima Gomes dos. Ambientes digitais no desenvolvimento de atitudes colaborativas de aprendizagem: estudo de caso do projeto de jornal eletrônico Extra-extra. Florianópolis, 2003. 119f. Dissertação de Mestrado (Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Produção), Universidade Federal de Santa Catarina.

 

Silva, Marco. Sala de aula interativa. 3ª ed. Rio de Janeiro : Quartet Editora,. 2002.

 

Peixoto, E. (2001). Aprendizagem, Raciocínio Metacognitivo e Auto-Regulação em Contexto Escolar: Princípios de uma Teoria Emergente. In B. Detry & F. Simas (Coord.s). Educação, Cognição e Desenvolvimento (pp. 55-96). Lisboa: Edinova.

 

Vygotski, L. S. A formação social da mente. São Paulo: Martins Fontes, 2. Ed., 1988.

 

July 09

Meu lado Mulher



Frei Betto

Meu lado mulher se incomoda em receber mensagens apenas um dia por ano (8 de março), enquanto que meu lado homem se enche com 364 dias. Talvez seja necessária esta efeméride, dor recente de uma antiga cicatriz. Porque se vive numa sociedade machista: matrimônio, o cuidado do lar; patrimônio, o domínio sobre os bens.

O marido possui o carro, a casa e a mulher, que inclusive, em alguns países, incorpora o sobrenome da família dele. Ele exige que limpe a casa todo dia. Manda o carro para a oficina ao menor defeito. À mulher, ser multifacetado, cabe o dever de cuidar da casa, dos filhos, das compras e do bom humor do marido, que nem sempre se lembra de cuidar dela.

Meu lado mulher nunca viu o marido gritar com o carro, ameaçá-lo ou agredi-lo. Enquanto nem ela é sempre tratada com tanto respeito. Na Igreja Católica os homens têm acesso aos sete sacramentos. Podem até ser ordenados sacerdotes e, mais adiante, obter dispensa do ministério e contrair matrimônio.

As mulheres, consideradas pela teologia vaticana um ser naturalmente inferior, só têm acesso a seis sacramentos. Não podem receber a ordenação sacerdotal, mesmo tendo merecido de Jesus o útero que o engendrou; o seguimento de Joana, de Susana e da mãe dos filhos de Zebedeu; a defesa da mulher adúltera; o perdão da samaritana; a amizade de Madalena, primeira testemunha da sua ressurreição.

Meu lado mulher tem pavor da violência doméstica; do pai que assedia a filha, enviando-a a perdição da prostituição; do patrão que exige favores sexuais de sua funcionária; do marido que levanta a mão para profanar o ser que deu a luz a seus filhos.

Diante do televisor ou de um molho de revistas meu lado mulher se estremece: Cala a boca, Magda! Ela é burra, a imbecil que move as cadeiras no fundo do cenário, se mete na banheira do Gugu, se expõe na casa do brother, se associa à publicidade de cervejas e carros, como um adereço a mais de consumo.

 Meu lado mulher trata de resistir diante do implacável jogo da desconstrução do feminino: tortura do corpo em academias de ginástica, anorexia para manter-se esbelta, vergonha das gorduras, das rugas e da velhice, entrega ao bisturi para que amolde a carne ao gosto da clientela da carnificina virtual, o silicone para ressaltar protuberâncias. E manter a boca fechada, até que haja no mercado um chip transmissor automático de cultura e inteligência que se possa enxertar no cérebro. E engolir antidepressivos para tratar de encobrir o buraco no espírito, vazio de sentido, ideais e utopia.

Meu lado mulher se esforça por se livrar do modelo emancipatório que adota, como paradigma, meu lado homem. Será que ela tenta não querer ser como ele. Navega em mares nunca dantes navegados, rumo ao continente feminino, onde as relações de gênero serão de alteridade, porque o diferente não se fará divergente. Aquilo que é só terá plenitude em interação com seu contrário. Como acontece em todo verdadeiro amor.

Fonte: ADITAL

Modelagem / Mulher

 
Henriqueta Lisboa nasceu em 15 de julho de 1904, na cidade de Lambari, sul de Minas Gerais. Publica seus primeiros livros de poesia na década de 20. Em 1931, recebe o prêmio Olavo Bilac da Academia Brasileira de Letras pelo livro "Enternecimento".

Modelagem / Mulher

Assim foi modelado o objeto:
para subserviência.
Tem olhos de ver e apenas
entrevê. Não vai longe
seu pensamento cortado
ao meio pela ferrugem
das tesouras. É um mito
sem asas, condicionado
às fainas da lareira
Seria uma cântaro de barro afeito
a movimentos incipientes
sob tutela.
Ergue a cabeça por instantes
e logo esmorece por força
de séculos pendentes.
Ao remover entulhos
leva espinhos na carne.
Será talvez escasso um milênio
para que de justiça
tenha vida integral.
Pois o modelo deve ser
indefectível segundo
as leis da própria modelagem.

Publicado: Pousada do Ser (1982)

A MULHER E SEUS CLIMAS

A mulher não é ela. É o clima dela. Melhor do que perfumes é o cheirinho de banho recenteque se descobre no cabelo e na nuca ou de capim cheiroso espalhado no armário e herdado pela blusa ou camisola. Nada de voz aguda. Um tom médio para grave é preferível. Uma gota de rouquidão incentiva. Nada de perfeições! Nem de corpo, nem de inteligência e espírito. Só de caráter. Mulher mau caráter é tão raro quanto repulsivo. O importante é mesmo ter algo de errado no corpo ou no rosto, atraentes. Certos pequenos erros acentuam traços ou detalhes que, isolados, crescem muito e ganham o todo. O lábio um pouco mais grosso, seios com bicos estrábicos, alguma penugem de que ela não goste mas necessária, o nariz um pouco maior do que ela desejaria, tudo isso aquece a atração. Carinho tem hora. Não hora marcada, mas hora adivinhada. Carinho fora de hora, eriça. Olhar de uma tristeza tão antiga quanto encarnações é forte fator de atração. Lágrimas a postos. Sempre. Por favor, nenhuma bronca com barriguinha ou descuido nosso. Nada de exigências ascéticas, dietéticas, apologéticas ou ideológicas. Mulher que atrai e mantém o seu homem é a que gosta mais de alguns defeitos dele do que de uma perfeição idealizada ou basbaque certinho demais. Mas honradez ele deve ter... Mulher deve falar como quem insinua em vez de ordenar. Pedir como quem ajuda; saber esperar. E não pode ficar falando "eu acho" toda hora, nem descuidar-se das unhas dos pés. Pudor é essencial. Mas um pudor velado, revelado apenas na linguagem sutil mas eloquente de seu corpo, no modo de se encolher na cadeira ou cruzar os pés. Rebolados, só os muito suaves e discretos. Mas evidentes. Ser friorenta é indispensável. Se for possível preferir o silêncio - entre reclamar e reinvidicar, salvo quando tenha muita razão, melhor ainda. Se não for assim, que venha a bronca, mas com mansidão. E depois não permaneça a resmungar. Que goste de eventuais e raros pilequinhos, jamais de alcoolismo. Que ame beijar. Aprecie e valorize gentileza e adore ser deixada cruzar a porta na frente. Pisar firme, mas leve. Mulher não deve chegar, deve aparecer. Não deve entrar, deve aproximar-se. Não deve mastigar, deve sorver. E por favor, cuspir, jamais. Só no consultório dentário... Ar de brincadeira antes de amar é receita infalível. E dormir o mais encolhidinha possível e
depois acordar solta, confiante no sono. Em viagens é essencial cuidar da gente. E guardar sempre uma surpresa para ser dada de repente. Sim, ser bela nada tem com ser bonita. É muito mais. Porque a mulher não é apenas ela. É também o clima dela
Artur da Távola

Ensinamentos

Recebi esta mensagem de M.Claudia FMEF USP o ano passado e gostei muito

Para refletirem....com amor

Ensinamentos poéticos ( ou razão e sensibilidade em sala de aula)

"Minha mãe achava estudo
a coisa mais fina do mundo.
Não é.
A coisa mais fina do mundo é o sentimento.
Aquele dia de noite, o pai fazendo serão,
ela falou comigo:
'Coitado, até essa hora no serviço pesado.'
Arrumou pão e café, deixou tacho no fogo com água quente.
Não me falou em amor. Essa palavra de luxo".

("Ensinamento", in Poesia Reunida, Adélia Prado)
No poema "Ensinamento", a poeta mineira Adélia Prado traduz, de forma brilhante, a importância do amor como sentimento que deve pairar soberano acima de todas as outras coisas. Acima, até mesmo, da educação, do estudo e do conhecimento. Na verdade, se não há amor, se não há entendimento a respeito dos valores que derivam dele, tudo o quanto possuímos pode transformar-se em arma contra nós, contra nossos semelhantes e, em conseqüência disso, contra o mundo.
O texto de Adélia possui precisão minuciosa, cadência, ritmo e beleza extremada - características inerentes às obras poéticas, estejam elas em prosa ou em verso. Mas isso não é tudo... É, ao contrário, apenas o começo. Não obstante utilizar palavras como instrumento de propagação de idéias e sensações, o poema de Adélia tem o efeito de um objeto cortante porque trespassa nosso corpo e nossa alma com a eficiência de uma lâmina. É uma imagem forte, mas eficaz para descrever a intensidade e a força que as palavras da poeta mineira exercem sobre nós. Cada uma delas parece penetrar profundamente em nossas mentes e corações, tomando-nos de assalto, seduzindo-nos e, finalmente, instigando-nos à reflexão sobre o que é realmente essencial em nossas vidas.
É um exemplo riquíssimo de habilidade poética. Em poucas linhas, há uma enorme quantidade de informações que revelam percepções sutis sobre os relacionamentos humanos, sobre a família, sobre o ato de compartilhar, sobre o cuidar, sobre o olhar atento em relação ao outro - captando suas dores e alegrias - e, por fim, sobre a supremacia das ações em detrimento das palavras...
É um poema que nos ensina como podem e devem nos tocar os diferentes aprendizados que obtemos ao longo do tempo. Aprendizados, muitas vezes, escondidos por trás dos gestos mais simples... Aprendizados que se situam num universo à parte dos livros escolares. Um universo sustentado, justamente, pelas fibras, teias, cordas e laços inquebrantáveis do amor.
São lições imprescindíveis aos seres humanos. Lições que devem ser ministradas, primeiramente, em casa, no seio familiar, para, em seguida, serem reforçadas, fortalecidas e solidificadas pela escola, por meio dos mestres, que assumem papel de destaque nas salas de aula do mundo. Lições que deveriam estar nas entrelinhas dos textos de cada disciplina, de cada novo ponto ou tópico aplicado pelos professores... É para isso que devemos atentar: se não ensinamos com amor e sobre o amor, então não ensinamos nada... Então não cumprimos nossa missão... Então estamos perdendo tempo... Estamos, em resumo, exercendo o ofício errado.
Adélia nos ensina tudo isso nas poucas, mas grandiosas linhas de seu poema. Não foi à toa que outro mestre de nossas letras, Carlos Drummond de Andrade, se rendeu aos encantos da conterrânea mineira e incentivou ativamente a publicação de seu primeiro livro, Bagagem, em 1976. Drummond sabia das coisas... E, nós, brasileiros, ficamos devendo mais essa ao grande poeta das terras das Gerais - berço esplêndido de numerosos artistas brasileiros.
Drummond, Adélia, Manuel Bandeira, João Cabral de Melo Neto, Mário Quintana e tantos outros poetas - para ficar só nos brasileiros - nos ensinam lições fundamentais. Lições que podem nos ajudar a reverter o quadro atual. Um quadro dantesco que reproduz o horror de um mundo em conflito permanente. Um mundo marcado por guerras, intolerâncias, preconceitos, banalização da violência, desrespeito generalizado, ausência de afeto, de fraternidade e de solidariedade.
Trabalhar essas questões em sala de aula é uma missão difícil, mas extremamente necessária. Uma missão que exige a mescla de razão e de sensibilidade. Uma missão que poderá nos conduzir a um futuro diverso da realidade que vivemos hoje. Um tempo verdadeiramente regido pelo amor, pela justiça e pela dignidade.
E a poesia nos ajuda a levar essa mensagem. Não só a poesia presente amiúde nos livros de português e de literatura, mas a poesia descrita tão belamente por Adélia Prado. A poesia presente nas ações, na forma como enxergamos e nos comovemos com as necessidades do outro, na maneira como transmitimos saberes aos nossos educandos.
Estamos falando sobre uma poesia fundamentada, justamente, na nossa crença em contribuir para que os aprendizes possam, um dia, assumir, com competência, talento e desenvoltura, o rumo das naus que, hoje, navegam sem norte em busca da conquista. Naus que, em sua maioria (há raras exceções), estão sendo guiadas por comandantes prepotentes, insanos, despreparados...
Capitães insensíveis porque só pensam na aquisição ininterrupta de terras e de falsos tesouros. Viajantes cegos ao verdadeiro sentido e às genuínas riquezas da vida. Riquezas economicamente não-mensuráveis. Sim. A poesia nos diz que estamos aqui para conquistar e propiciar algo muito maior e mais sublime: o amor, a felicidade, a amizade, o afeto e a paz de espírito.
Preciosidades que se adquirem quando nosso foco está voltado não apenas para o destino de nossas naus, mas, sobretudo, para a beleza do caminho e para os ensinamentos que ele nos proporciona. É isso. Uma boa aula é, em outras palavras, uma inesquecível viagem... Uma viagem movida à poesia... Esse combustível que sintetiza, tal qual no poema de Adélia, uma educação para o amor. Uma educação para a vida.
Boa jornada a todos!
Texto do
Professor e Secretário de Estado da Educação do Estado de São Paulo
Gabriel Chalita

Uma olhada no espelho...


Aos 3 anos: Se olha no espelho e vê uma Rainha!

Aos 8 anos: Se olha e se vê como Cinderella/Bela Adormecida.

Aos 15 anos: Se olha e se vê como Cinderella/Bela Adormecida/líder de torcida ou, se está "ficando mocinha" vê Gorda/Espinhas/HORRÍVEL("Mamãe eu não posso ir à escola com essa aparência!").

Aos 20 anos: Se olha e vê "muito gorda/muito magra, muito baixa/muito alta, muito encaracolados/muito lisos" - mas decide que vai sair, de toda forma.

Aos 30 anos: Se olha e vê "muito gorda/muito magra, ,muito baixa/muito alta, muito encaracolados/muito lisos" - mas decide que não tem tempo de consertar, então, ela vai sair de todo jeito.

Aos 40 anos: Se olha e vê "muito gorda/muito magra, muito baixa/muito alta, muito encaracolados/muito lisos" - mas diz: "Ao menos estou limpa" e sai, de todo jeito.

Aos 50 anos: Se olha e vê "Eu sou" e vai para onde bem entende.

Aos 60 anos: Se olha e se lembra de todas as pessoas que nem mesmo podem mais se ver no espelho. Sai, e conquista o mundo.

Aos 70 anos: Se olha e vê sabedoria, alegria e habilidade. Sai e aproveita a vida.

Aos 80 anos: Nem se preocupa em olhar no espelho.

Simplesmente coloca um chapéu roxo e sai para se divertir com o mundo.
 
P.S  Desconheço o autor

Se eu pudesse escolher

Se eu pudesse escolher seria feliz por,
pelo menos, oito horas por dia.
Todos os dias.
Reservaria o tempo restante
para viver as pequenas agruras naturais.
Mas seriam leves.
Porque haveria a certeza de que a cada dia
eu teria a minha cota de felicidade.
Se eu pudesse escolher
reservaria algumas horas, todos os dias,
para fazer só o que pudesse
fazer os outros felizes.
Dedicação total.
Se eu pudesse escolher,
pararia qualquer coisa que estivesse fazendo
às cinco horas da tarde
e me sentaria para assistir ao pôr do sol.

 Escolheria lugares especiais.
Procuraria não me repetir muito.
O horário do pôr do sol seria algo assim, sagrado.
O meu horário para observar a Deus.
Se eu pudesse escolher,
viveria entre o mar e as montanhas.
No meio do caminho.
Nem muito longe de um,
nem muito longe do outro.
Plantaria flores,
teria vasos na janela,
muitos livros na cabeceira da cama e à noite,
depois
do trabalho - sim,
porque se eu pudesse escolher
trabalharia sempre, produziria sempre -
eu me sentaria para contemplar o céu,
as estrelas, a noite.
Se eu pudesse escolher, sorriria sempre.
Mas choraria também, às vezes,
para não esquecer o que a lágrima significa.
Viver só de sorrisos não é uma boa opção.
Se eu pudesse escolher,
faria uma declaração de amor todos os dias.
Só para sentir aquele sabor de ridículo
que nos enche alma e que é imprescindível
à felicidade.
Se eu pudesse escolher,
plantaria sementes
e "perderia" horas vendo-as germinar
e lamentaria por aquelas que não conseguissem
se transformar em flor.
Se eu pudesse escolher,
viveria a vida de uma forma mais leve,
menos dolorosa, mais intensa, menos angustiante.
Nem sempre temos como opções
as escolhas que faríamos se pudessemos escolher.
Mas há escolhas que nos são oferecidas sempre.
A de provocarmos sorrisos, de abraçarmos,
de dizermos que amamos para quem amamos
mesmo que eles não entendam o que é amor.
A possibilidade de transformarmos
dentro de nós o cenário e aprendermos que,
como não temos muitas escolhas,
precisamos viver quinze minutos de felicidade
com tanta intensidade que eles
possam ser transformados em horas,
dias, meses, no tempo que escolheríamos.
Se pudessemos escolher.

Maine Virginia Carvalho

June 11

Não Esqueça as Perguntas Fundamentais

Não Esqueça as Perguntas Fundamentais

Rubem Alves

Vou contar para vocês uma estória. Não importa se verdadeira ou imaginada. Por vezes, para ver a verdade, é preciso sair do mundo da realidade e entrar no mundo da fantasia...
Um grupo de psicólogos se dispôs a fazer uma experiência com macacos. Colocaram cinco macacos dentro de uma jaula. No meio da jaula, uma mesa. Acima da mesa, pendendo do teto, um cacho de bananas.
Os macacos gostam de bananas. Viram a mesa. Perceberam que, subindo na mesa, alcançariam as bananas. Um dos macacos subiu na mesa para apanhar uma banana. Mas os psicólogos estavam preparados para tal eventualidade: com uma mangueira deram um banho de água fria nele. O macaco que estava sobre a mesa, ensopado, desistiu provisoriamente do seu projeto.
Passados alguns minutos, voltou o desejo de comer bananas. Outro macaco resolveu comer bananas. Mas, ao subir na mesa, outro banho de água fria. Depois de o banho se repetir por quatro vezes, os macacos concluíram que havia uma relação causal entre subir na mesa e o banho de água fria. Como o medo da água fria era maior que o desejo de comer bananas, resolveram que o macaco que tentasse subir na mesa levaria uma surra. Quando um macaco subia na mesa, antes do banho de água fria, os outros lhe aplicavam a surra merecida.
Aí os psicólogos retiraram da jaula um macaco e colocaram no seu lugar um outro macaco que nada sabia dos banhos de água fria. Ele se comportou como qualquer macaco. Foi subir na mesa para comer as bananas. Mas, antes que o fizesse, os outros quatro lhe aplicaram a surra prescrita. Sem nada entender e passada a dor da surra, voltou a querer comer a banana e subiu na mesa. Nova surra. Depois da quarta surra, ele concluiu: nessa jaula, macaco que sobe na mesa apanha. Adotou, então, a sabedoria cristalizada pelos políticos humanos que diz: se você não pode derrotá-los, junte-se a eles.
Os psicólogos retiraram então um outro macaco e o substituíram por outro. A mesma coisa aconteceu. Os três macacos originais mais o último macaco, que nada sabia da origem e função da surra, lhe aplicaram a sova de praxe. Este último macaco também aprendeu que, naquela jaula, quem subia na mesa apanhava.
E assim continuaram os psicólogos a substituir os macacos originais por macacos novos, até que na jaula só ficaram macacos que nada sabiam sobre o banho de água fria. Mas, a despeito disso, eles continuavam a surrar os macacos que subiam na mesa.
Se perguntássemos aos macacos a razão das surras, eles responderiam: é assim porque é assim. Nessa jaula, macaco que sobe na mesa apanha... Haviam se esquecido completamente das bananas e nada sabiam sobre os banhos. Só pensavam na mesa proibida.
Vamos brincar de "fazer de conta". Imaginemos que as escolas sejam as jaulas e que nós estejamos dentro delas... Por favor, não se ofenda, é só faz-de-conta, fantasia, para ajudar o pensamento. Nosso desejo original é comer bananas. Mas já nos esquecemos delas. Há, nas escolas, uma infinidade de coisas e procedimentos cristalizados pela rotina, pela burocracia, pelas repetições, pelos melhoramentos. À semelhança dos macacos, aprendemos que é assim que são as escolas. E nem fazemos perguntas sobre o sentido daquelas coisas e procedimentos para a educação das crianças. Vou dar alguns exemplos.
Primeiro, a arquitetura das escolas. Todas as escolas têm corredores e salas de aula. As salas servem para separar as crianças em grupos, segregando-as umas das outras. Por que é assim? Tem de ser assim? Haverá uma outra forma de organizar o espaço, que permita interação e cooperação entre crianças de idades diferentes, tal como acontece na vida? A escola não deveria imitar a vida?
Programas. Um programa é uma organização de saberes numa determinada sequência. Quem determinou que esses são os saberes e que eles devem ser aprendidos na ordem prescrita? Que uso fazem as crianças desses saberes na sua vida de cada dia? As crianças escolheriam esses saberes? Os programas servem igualmente para crianças que vivem nas praias de Alagoas, nas favelas das cidades, nas montanhas de Minas, nas florestas da Amazônia, nas cidadezinhas do interior?
Os programas são dados em unidades de tempo chamadas "aulas". As aulas têm horários definidos. Ao final, toca-se uma campainha. A criança tem de parar de pensar o que estava pensando e passar a pensar o que o programa diz que deve ser pensado naquele tempo. O pensamento obedece às ordens das campainhas? Por que é necessário que todas as crianças pensem as mesmas coisas, na mesma hora, no mesmo ritmo? As crianças são todas iguais? O objetivo da escola é fazer com que as crianças sejam todas iguais?
A questão é fazer as perguntas fundamentais: por que é assim? Para que serve isso? Poderia ser de outra forma? Temo que, como os macacos, concentrados no cuidado com a mesa, acabemos por nos esquecer das bananas...

June 06

Mafalda

mafalda-6

trabalho dos sonhos

Trabalho dos sonhos!

O ambiente de trabalho no Google em Zurique

Noticias24.- Ángel Jiménez de Luis, editor do Gadgetoblog del Diario El
Mundo, fez uma visita a oficina do Google en Zurich (Suiça) e regressou com
uma série de fotos que despertam a mais terrível inveja de todas.

O tobogã conecta a zona de oficinas do primero andar com a cafeteria e a
academia. Para descer e comer não precisa esperar o elevador.
Os recém chegados têm que descer por ele para se apresentar à todos, além de
usar um ridículo chapéu colorido durante algumas horas.

A cafeteria serve café da manhã, almoço e janta preparados por cozinheiros
contratados exclusivamente para o edifício.
Tem comida para vegetarianos e como prato principal, um buffet de saladas
com comidas feitas com ingredientes frescos do local.

As crianças são bem vindas e não é estranho ver os 'Googlers' indo trabalhar
acompanhados de seus mascotes.
Não há berçários - embora a empresa toda se pareça com uma quase sempre -
mas sim, uma sala especial para trocar os bebês.

A boa comida grátis e os petiscos entre as horas sempre trazem uns
'quilinhos' a mais aos recém chegados que ficam popularmente conhecidos como
'os Os (letra O) do Google'.
A academia do piso superior - que também é grátis - é o lugar onde se
queimam os 'quilinhos'.

A sala de massagem é quase que um santuário. As poltronas vibradoras são
gratuitas.
Apenas o serviço de massagens é que são pagos, mas são subsidiados e com
valores baixos.
A empresa presenteia bônus de massagem ou reservas de horários.

Em cada andar tem ao menos 2 áreas de descanso com comida e bebida - é
claro, grátis. Refrescos, sucos e café, muito café, mas também cerais,
chocolates, sorvetes, batata fritas, frutas e uma ampla seleção de lanches
saudáveis que tentam compensar o excesso de carboidratos.

Cada um administra seu tempo e seu trabalho como quer.
Não há horário e nas horas de descansos é permitido jogar uma partida de
Guitar Hero (jogo de vídeo game onde os jogadores tocam uma guitarra
virtual), sinuca ou um jogo de mesa.
Os prazos de entregas e desenvolvimento/ produção, isso sim, tem que ser
cumprido.

Esta barra, similar a de uma estação de bombeiros, liga o segundo andar com
a sala de jogos.
Não precisa esperar o elevador para se divertir um pouco.

O espaço de trabalho é pequeno, mas as áreas de reuniões são muito amplas e
temáticas.
Esta cabine é de um autêntico teleférico e está situada em um andar decorado
com fotos e objetos que lembram uma estação de esquí nos Alpes.

Nessas alturas você deve estar perguntando se no Google realmente se
trabalha.
Esta é uma área de trabalho convencional.
Duas telas (monitores) é o padrão - economiza tempo e aumenta a
produtividade - e os lugares são escolhidos livremente.
Não é difícil ver os 'Googlers' mudando o lugar de trabalho com freqüencia.

O serviço técnico está em uma área do prédio decorada com ambiente hawaiano.
Aqui se pode vir e buscar um cabo ou consertar um problema no seu laptop.
As áreas de recreação estão repartidas por todo o prédio para que os
'Googlers' caminhem e se vejam.

As áreas de trabalho são sempre abertas.
Para se ter privacidade durante uma conversa no telefone, tem que 'prender'
em uma das múltiplas cabinas divididas pelo edifício.
Em todas as paredes do prédio existem blocos de anotações, porque nunca se
sabe em que momento pode surgir uma boa idéia.

O Salão da Água é uma área de paz e relaxamento no prédio.
Há poltronas de massagens e a iluminação é mínima.
É o lugar ideal para tirar aquela dormidinha básica após o almoço e
descansar um pouco antes de uma reunião.

No entanto, é proibido o uso de celuláres e despertadores.
A única atividade possível, além de descansar, é olhar os peixes tropicais
nos aquários nas paredes.

As salas de reuniões do prédio têm nomes tirados de séries de TV e filmes
famosos.
Estes iglús estão na área do Star Wars e são autênticos refúgios que foram
utilizados em missões científicas na Antártida.

Google é mais que uma empresa.
Os trabalhadores se encontram na sede de forma periódica para realizarem
atividades em conjunto e festas. Também não é raro encontrar grupos para
praticar esportes desde ciclismo até esqui alpino.
Além de tudo, os funcionários têm o famoso 20% de tempo de trabalho onde
cada um pode dedicar-se a projetos pessoais e 10% para livre diposição
absoluta.

Os trabalhadores passam apenas uma fração de seu tempo na mesa de trabalho.
Na maioria das vezes trabalham com o laptop nas áreas de descanso, em
pequenos grupos.
Isto favorece a criatividade e a sociabilidade.

A biblioteca é uma das salas mais surpreendentes do prédio e a que tem as
melhores vistas.
Uma área de descanso com uma imensa cozinha e uma chaminé 'virtual'.
Toda a mobília é reciclável e foram adquiridas de lojas de segunda mão.

.

[As partes desta mensagem que não continham texto foram removidas]

May 01

Para sempre Homenagem as mães

     

    Por que Deus permite
    que as mães vão-se embora?
    Mãe não tem limite,
    é tempo sem hora,
    luz que não apaga
    quando sopra o vento
    e chuva desaba,
    veludo escondido
    na pele enrugada,
    água pura, ar puro,
    puro pensamento.

    Morrer acontece
    com o que é breve e passa
    sem deixar vestígio.
    Mãe, na sua graça,
    é eternidade.
    Por que Deus se lembra
    - mistério profundo -
    de tirá-la um dia?
    Fosse eu Rei do Mundo,
    baixava uma lei:
    Mãe não morre nunca,
    mãe ficará sempre
    junto de seu filho
    e ele, velho embora,
    será pequenino
    feito grão de milho.

    Para sempre  Drummond

 

Nova EAC

Pessoal estou super feliz com a possiblidade de participar de nova EAC. Estou ansiosa em encontrar novos amigos e quem sabe até os antigos.
Um beijo a todos e até lá.
 
Rosemary
September 11

Como transformar os recursos da Internet em produçao de Conhecimento?

Há muito tempo que eu desconfiava.O mundo não terminava onde céus e montanhas se encontravam. A extensão do meu olhar não podia determinar a exata dimensão das coisas.Existia algo mais, existia o desconhecido, existia o lugar do sol se aconchegar, enquanto a noite se fazia. Existia um abrigo para a lua enquanto era dia. E meu coração de professora afogava-se de esperança.

Sim, existia algo mais. Existia o noturno. Os Jovens e Adultos. Sua sabedoria popular. Seu Severino, o pedreiro, Marinalva, a costureira, Nelson, o mecânico e a vontade e o desejo de aprender e continuar. Os dedos trêmulos no teclado de quem não teve a oportunidade de ser e viver cidadania.

Logo eu que não era internauta, cibernética, nem tão pouco astronauta, sem nave, sem barco, sem asa, acreditei nas possibilidades, na ousadia. Afinal, sou somente professora que aprendi a aprender. Teimosia.

Então um dia eu trouxe meus alunos da EJA à tela do computador para decifrar as letras e o mundo, o caminho, o conhecimento, a descoberta, a internet e o navegador. E a palavra-imagem se mostrou como caminho poderoso para encurtar distâncias, para alcançar onde só a fantasia suspeitava, Para permitir silêncios e diálogos. Para derrubar muros e preconceitos.

Com a Internet meus alunos ultrapassaram as linhas do horizonte e o meu coração de professora transbordou de alegria e ansiedade. Ao clicar num link eles dobraram uma esquina, escalaram uma montanha, transpunham uma maré.

Ao passar uma página eles freqüentaram o fundo dos oceanos, transpiraram em ânsias para em seguida vagarem pelos cantos do Brasil e fizeram-se hóspedes de outros corações.

Pelo computador, meus alunos de 30, 40 e até 70 anos investiram em sua pátria, percorreram suas entranhas, refletiram seus males, conheceram sua miséria, provaram da sua família, beberam da sua cidade, temperaram seu bairro, mudaram a  escola e a cada um de nós.Enquanto pacientemente degustavam dos seus desejos e limites na alfabetização da sua vida.

Assim, meu trabalho com a EJA passou a ser o meu porto a minha porta, o meu cais, as minhas descobertas. O desejo de fazer algo, mudar a realidade daqueles jovens, senhores e senhoras, fez-me ver o ofício de mestre como  filosofia de vida, pois através deles,  eu  soube da História e criei os seus avessos, soube dos homens, seus disfarces, seus medos, suas derrotas, vitórias e suas falta de oportunidades na vida. Por eles eu soube de cidadania, fome, velhice, simplicidade e amor tudo pela tela do computador.

Soube das várias faces da política, do poder e dos outros tantos lugares para se olhar. Soube do Gênesis e do Apocalipse com as senhoras evangélicas, dos preços e do custo de vida, nas conversas longas antes da aula começar. Aprofundei-me em Paulo Freire e em cidadania e nas coisas mais simples que envolvem alguém que nunca teve oportunidades, mas que são tão sábias.

Com a Internet, meus alunos da EJA souberam das várias facetas do imenso Brasil, sua linguagem, geografia, sua história, sua cultura, seu português brasileiro, variado, indígena, africano, brejeiro. Lá, eles leram novos testamentos de percurso. Novas possibilidades e aventuras, um jeito novo de acreditar, construir, sonhar. Eu desconfiava. Agora tenho certeza: é possível transformar aprendizagem significativa em cidadania, quando acreditamos que podemos.

 

Santos, Rosemary.EJA e Informática Educativa: Uma Proposta Significativa de Aprendizagem e Inclusão Social.

 

May 23

Silêncio

Guardar silêncio

Frei Betto

Avanços outrora alcançados pela humanidade perdem-se por falta de uso e ausência de memória. Quem curte cozinha, bem o sabe. Minha avó fazia um delicioso Miss Guynt, abrasileirado para "missiguinte", bolo de quatorze camadas finas embebidas de conhaque e recheadas de goiabada em calda, na falta de cerejas utilizadas pelos britânicos antes de se fixarem na mina de Morro Velho, em Minas, onde ela aprendeu a receita.

Minha mãe tornou-se mestra na arte de fazer esse bolo que, quanto mais velho, melhor, e quanto mais fina a fatia, mais saborosa. Hoje, dos oito filhos, só dois dominam o seu preparo.

O gesto que não cria hábito não vira tradição. Por isso, já não sabemos a receita dos pães egípcios que levavam semanas para desidratar, e por isso eram os preferidos dos navegadores, nem dos anticicatrizantes medievais aplicados após a retirada de ventosas da pele.

Uma riqueza inestimável que estamos perdendo é a do silêncio. Nossa sociedade é ruidosa nos mínimos detalhes. Malgrado o avanço da tecnologia, ainda não se inventaram liquidificadores e britadeiras silenciosos. Há muitas "falas" ao nosso redor. A publicidade de rua esgarça o nosso espírito. Daí ser um deleite para a alma caminhar por uma cidade desprovida de outdoors, como Praga. Como os olhos ficam descansados quando podem apreciar a natureza e a estética dos monumentos arquitetônicos! Como dá prazer fitar o mar que, como dizia Hélio Pellegrino, é o pão do espírito!

Há quem tema o silêncio e, ao entrar em casa, trata de ligar todos os aparelhos: telefone, TV, rádio etc. São pessoas incapazes de escutar o silêncio interior. Sentem dificuldade em "amar o próximo como a si mesmo". Quem não gosta de si tem resistência a gostar dos outros. E desconta neles o mal-estar íntimo. É no silêncio que posso descobrir um Outro que não sou eu e, no entanto, como salientou Tomás de Aquino, funda a minha verdadeira identidade.

A noivos que se preparam para o casamento, sempre pergunto: "Vocês são capazes de ficar juntos, em silêncio, sem saudades de uma tesoura de jardineiro?" Se o silêncio entre o casal pesa, suscita desconfianças e indagações tipo "o que você está pensando?" ou "por que está tão calado?", é sinal de que a relação não vai bem. Meus pais, aos 60 anos de casados, passavam horas, lado a lado, em silêncio. Ela bordando, ele lendo, na suavidade de quem aprendeu que a profundidade do sentimento dispensa palavras. Como a oração que agrada a Deus.

No litoral capixaba, saí de madrugada num barco com três pescadores. Fomos recolher redes em alto-mar. O que mais me impressionou foi o silêncio entre eles, como se temessem precipitar o despertar do dia. Mesmo na penumbra, um adivinhava a vontade e o gesto do outro.

Conheço o silêncio dos monges, embora os conventos atuais, encravados nas cidades, sejam em geral ruidosos. Nas exceções à regra, os religiosos comem em silêncio, caminham pelo claustro sem que ninguém os interrompa, ficam horas na capela deixando-se inebriar pelo Mistério. Hoje, muitos praticam meditação em busca de silêncio. Querem mergulhar no próprio poço e beber da fonte de água viva.

As novas gerações já não aprendem a fechar os olhos para ver melhor. Sabem pouco das grandes tradições espirituais; curvam-se sem reverência; ajoelham-se sem orar; meditam sem contemplar; ignoram que a solidão é um exercício de solidariedade. Não escutam o Mistério, nem auscultam o Invisível. São cada vez mais raros os jovens que fazem a experiência de deixar Deus falar neles, assim como o amado desfruta da presença invisível e, no entanto, envolvente, da amada.

August 03

Meu amor

Nem vc é o grande amor da minha vida!! Quero gritar para todo mundo que amo vocêeeeeeee...fididu..
 
 
UERJ  
Photo 1 of 21
Aqui a lista dos blogs dos alunos que oriento no Projeto de Aprendizagem

O tempo...

 
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